Nos bastidores do Futebol Paraibano, uma pergunta cresce na mesma proporção que os resultados dentro de campo: até quando Fillipe Félix seguirá como dono da SAF? André Pennazi irá assumir? O cenário é complexo, repleto de camadas financeiras e administrativas que a Central do Belo reúne nesta matéria para ajudar a torcida a entender o que está em jogo.
Como Fillipe Félix chegou ao controle total?
A SAF do Botafogo-PB foi oficializada em fevereiro de 2025. Inicialmente, quem comandava o negócio eram os empresários Lucas Franzato, Celso Colombo Neto e Marcelo Campos Pinto, que adquiriram 90% das ações da Belo Holding — empresa criada para controlar a SAF.
Fillipe Félix entrou no projeto como patrocinador máster, mas rapidamente ganhou protagonismo. Interessado em entre 15% e 20% das ações, Fillipe se deparou com uma condição imposta pelo trio original: ou comprava tudo, ou ficava de fora.
O acordo final foi fechado e Fillipe assumiu o protagonismo da SAF, enquanto os outros investidores saíram do clube. Depois da saída de Franzato e Celso, Alexandre Gallo entrou com 5% das ações como parte do pacote, assumindo o cargo de CEO.
Com a saída de Gallo meses depois, motivada por divergências com Fillipe sobre gestão esportiva, o empresário mineiro passou a deter 100% da Belo Holding.
A venda de 10% e o interesse de um novo investidor
Em março de 2026, Fillipe Félix anunciou nas redes sociais que colocaria 10% das ações da SAF à venda para captar recursos e financiar a conclusão do CT e a reativação das categorias de base. “A gente vai fazer o processo que o Maringá e outras SAFs fizeram de captação de recursos com outros investidores. A base vai voltar e nós vamos fazer um dos maiores projetos do Nordeste para mais de 400 atletas”, disse o empresário.
Vale salientar, que este projeto divulgado por ele ainda não teve avanços e segue em aberto.
O que isso significa para o torcedor?
O cenário atual coloca a torcida alvinegra em uma posição de atenção. Por um lado, o Botafogo-PB vive seu melhor momento esportivo dos últimos anos na Série C, com Marcelo Fernandes tendo recolocado o clube na rota do G-8. Por outro, as questões financeiras e estruturais da SAF seguem sem uma resolução clara e pública.
A abertura de 10% das ações a novos investidores pode ser lida de duas formas: como sinal de crescimento e profissionalização — o modelo seguido com sucesso por clubes como o Maringá —, ou como um indicativo de que Fillipe Félix busca diluir sua exposição financeira num projeto que ainda não se sustenta sozinho, que provavelmente deve ser a resposta mais adequada para esse viés.
É verdade que negociações com Lucas Cândido e Diego Tavares já foram noticiadas, mas apenas Lucas chegou ao anúncio oficial com o crivo da janela aberta.
Marcelo Fernandes trabalha com um elenco enxuto numa competição que vai ficando mais exigente a cada rodada, e o reforço que o técnico pede pode estar travado exatamente pelos problemas financeiros e de gestão que rondam a SAF.
Se a indefinição sobre o futuro societário do clube contaminar a capacidade de investimento nesta reta final, o preço pode ser alto, e pago dentro de campo.


